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Delatores da Odebrecht falam de encontros com secretário da Fazenda de SC
Ex-diretor da empreiteira disse que combinou com Gavazzoni pagamentos de caixa dois.


Por Luan de Bortoli
Em 15/04/2017 - 07h32



Nos vídeos das delações da investigação da Operação Lava Jato, o ex-diretor da divisão sul da Odebrecht, Paulo Roberto Welzel, relatou encontros com o atual secretário de Estado da Fazenda de Santa Catarina, Antonio Marcos Gavazzoni. O delator afirmou que combinou com ele pagamentos de caixa dois para campanhas de dois deputados estaduais.

Em nota, o governo do estado afirma que "a versão dos delatores da Odebrecht sobre contribuição para campanha que está sendo noticiada é absurda, carregada de mentiras, ódio e revanchismo. Isso porque em nosso governo não foi celebrado contrato, não foi feito nenhum pagamento, nem foi concedida qualquer vantagem à empresa citada. A Casan não teve uma única ação vendida a quem quer que seja e continua sendo inteiramente pública".

Também diz em nota que "o Governo do Estado não tem nada a esconder. Está pronto para esclarecer todos os pontos de uma eventual investigação, se essa vier a ser instaurada". Os documentos com as delações, feitas ao Ministério Público Federal, foram liberados nesta semana pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da operação.

Delação de Paulo Welzel

Paulo Welzel contou que queria um interlocutor dentro do governo do estado que pressionasse a administração de Colombo a privatizar a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan). "Eu busquei agendar um reunião com o Julio Garcia, que era um conselheiro do Tribunal de Contas do estado de Santa Catarina", disse Welzel na delação.

Julio também foi presidente da Assembleia. Welzel relatou que o conselheiro fez uma recomendação: "Ele falou 'acho que vocês deveriam pensar ou considerar a possibilidade, que agora vai começar a campanha de 2014 para governador e deputados estaduais, que vocês viessem a contribuir com a campanha de determinados deputados estaduais que viessem a fortalecer a base do governo para que depois posteriormente fosse possível o governo levar a frente esse programa e vocês deveriam fazer isso através do secretário da Fazenda', que na altura, já era o Marco Antonio Gavazzoni (sic), que certamente ele era o responsável por esse programa junto ao governador e ele, portanto, poderia sim levar a cabo esse processo".

Welzel disse que levou a sugestão até o chefe dele, Fernando Cunha Reis, que era diretor da Odebrecht Ambiental, e também é um dos delatores. "Em função dessa sugestão dele [Julio], dessa recomendação, eu reportei esse tema ao Fernando Cunha Reis, porque eu não decidia nada a esse respeito, e Fernando Reis então decidiu e autorizou a contribuição de campanha para dois deputados estaduais, Gelson Merisio [PSD] e José Nei Ascari [PSD]".

Delação fala de encontros com Gavazzoni

Nesse momento do depoimento, os procuradores perguntam se, até então, Paulo Welzel já tinha se encontrado com Gavazzoni. "Previamente a essa decisão que o senhor teve após o encontro que o senhor teve com o conselheiro no Tribunal de Contas e antes da decisão de fazer esses pagamentos, o senhor teve alguma reunião com o secretário da Fazenda?", perguntou o procurador.

"Não, não! Eu o encontrava em alguns gabinetes, algumas antessalas, mas não tive um contato com ele, nunca tive", afirmou Welzel.

No vídeo, um dos procuradores rebate dizendo que, em um documento escrito antes da gravação, chamado "anexo", Paulo disse que tinha sido procurado por Gavazzoni, e não o contrário.
'Anexos' das delações

O "anexo" a que o procurador se refere é um documento que resume as delações de Paulo Welzel envolvendo Raimundo Colombo (PSD). Todos os delatores, antes de gravarem os depoimentos, escrevem um resumo do que falarão, que é construído junto com os advogados. Depois, eles se comprometem a detalhar tudo que escreveram no depoimento em vídeo. Os resumos são chamados de anexos, cada um sobre um alvo a ser delatado.

Num trecho do anexo de Paulo Welzel sobre Raimundo Colombo, o delator escreve: "em meados de 2014, recebi solicitação de contribuições de campanha de Antonio Marcos Gavazzoni, então Secretário da Fazenda, para a campanha de 2 candidatos a deputado estadual da base do Governador, Gelson Merisio e José Nei Ascari, nos valores de R$ 500 mil para cada um deles."

Com base nisso, o procurador, no vídeo da delação, afirma a Welzel: "No anexo diz que você disse que recebeu solicitação de contribuição de campanha do senhor Marcos Gavazzoni".

Em seguida, no vídeo, Welzel diz que estava enganado e pediu para corrigir essa parte da denúncia. "Não... É... Esse relato aí é um que eu tinha referido que ele.... eu me equivoquei nesse processo aí. Por isso estou fazendo agora essa revisão. Porque diante de toda a pressão desse processo, a gente vai revendo de fato como as coisas aconteceram para ficar mais claro", disse Welzel.

Encontro com secretário

Welzel continua a delação contando que conseguiu se encontrar com Gavazzoni, depois da ordem de Fernando Cunha Reis para pagar caixa dois a deputados estaduais. "Na medida que eu não tinha um contato com o secretário da Fazenda, comentei isso com o doutor Julio Garcia. Ele se ofereceu, ele disse 'não, ele vem com frequência aqui ao Tribunal, nós sempre temos reuniões, podemos combinar um dia que você vem aqui e posso fazer essa comunicação'. Então, assim foi feito. Ele se ofereceu a fazer esse intermediação e então um dia nós encontramos o Julio Garcia, o secretário da Fazenda, Antonio Marcos Gavazzoni, onde então eu informei a ele da contribuição que nós faríamos para esses dois candidatos".

O procurador pergunta em seguida: "Essa reunião onde foram comunicados os pagamentos aconteceu no Tribunal de Contas?". Welzel responde: "No gabinete do Julio Garcia".

Em seguida, o procurador faz outra pergunta: "Quem tava presente lá nesse dia?". Welzel responde: "Julio Garcia, eu e o secretário de Fazenda, secretário Gavazzoni".

O procurador continua: "Você recebeu o local, o codinome e repassou isso para quem?". Welzel afirma: "Passei para uma pessoa que o Antonio Marcos Gavazzoni tinha me passado. Não me recordo o nome".

O procurador pergunta: "Você definiu com ele que o pagamento seria por meio de caixa 2?". "Sim, sim", responde Welzel. "Quando informado que era por caixa dois, não se opuseram a aceitar?", perguntou o procurador. "Não, não", responde Welzel.

Versão do outro delator

Fernando Cunha Reis, o outro delator, afirmou que mandou Welzel se encontrar com Gavazzoni. Mas, na versão dele, gravada dois dias antes, foi o secretário que teria pedido o dinheiro. "O Gavazzoni, depois se enco... antes da eleição, ele se encontrou ainda com o nosso diretor. Com o diretor Paulo Welzel, pediu mais complementação de contribuições de campanha, aí sim para os deputados e tal, para que eles fizessem essa maioria", disse Fernando Reis no vídeo da delação. Ele também relata que se encontrou outras vezes com Gavazzoni.

Se o Superior Tribunal de Justiça autorizar a abertura do inquérito para investigar o governador, é a investigação que vai procurar responder possíveis contradições entre os delatores e esclarecer qual foi a participação de todos os citados no caso de um esquema de corrupção.

Posição dos citados

O atual secretário de Estado da Fazenda, Antonio Marcos Gavazzoni, não se manifestou pessoalmente sobre a citação. Informou que sua posição é a que foi enviada pelo governo do estado.

O assessor de Julio Garcia disse que ele nunca teve nenhum contato com dirigentes da Odebrecht e depois de 2006 nunca participou de nenhuma campanha eleitoral, direta ou indiretamente.

Em nota, os deputados estaduais Gelson Merisio e José Nei Ascari informam que não existem sobre eles quaisquer procedimentos investigativos instaurados, em qualquer esfera do poder judiciário, relativo aos fatos da Lava Jato. Na próxima semana, devem apresentar todos os documentos oficiais que comprovam a inexistência de qualquer procedimento investigativo.

Fonte: G1/sc




02 COMENTÁRIOS - Deixe também o seu Comentário



PAULO comentou em 15/04/2017 as 09:42:16

Ninguém cita , alguém a toa simplesmente para cita ,se e citado e larapio da população,Na realidade o nosso pais e da mãe joana a merda e essa , em tudo a corrupção ,gasolina , leite ,carne ,medicamento ,sindicato roendo o trabalhador e aposentados ,as eleição são ganhas com compras de voto ,desde vereador para frente ,e o verdadeiro pais de quem pode mais chora menos .
Paulo Pucci comentou em 15/04/2017 as 08:10:25

Tdos os políticos envolvidos na lava jato, não sabem de nada, o que receberam é legal, não conhecem que deu o dinheiro, são denuncias sem provas e mais algumas.. È por isso que devemos acreditar nessa classe. Não assumem nada do que fazem

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