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Em meio à pandemia, Setembro Amarelo segue com ações voltadas ao combate ao suicídio

Cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo, a cada ano

Por Luan de Bortoli
14/09/2020 às 06h12 | Atualizada em 14/09/2020 - 10h45


Na rotina atribulada que só aumenta a cada dia, em um mundo que está cada vez mais acelerado, em uma sociedade que cobra cada vez mais dos outros, a saúde mental tem ficado em segundo plano, quando, na verdade, deveria se tornar prioridade. Ligados diretamente a isso estão a depressão e ansiedade que, por sua vez, estão intrinsecamente conectados aos casos de suicídio como forma de resolver os problemas.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Os mesmos dados ainda afirmam que cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo, a cada ano. Somente no Brasil, este número já é mais de 12 mil registros anuais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o campeão mundial em casos de transtorno de ansiedade e ocupa o segundo lugar em transtornos depressivos, que podem levar ao suicídio. No Brasil, conforme dados de autoridades, a cada 40 minutos, uma pessoa comete suicídio. Neste contexto, se estabeleceu há anos no país um mês todo voltado para ações de conscientização, o Setembro Amarelo.

Costumeiramente, em Concórdia várias ações voltadas a este tema são realizadas, com campanhas de conscientização e alertas para a problemática. Mas neste ano, por conta da pandemia do coronavírus, o projeto ficou parcialmente comprometido. Ainda assim, a administração municipal está com a atenção voltada ao assunto com ações especiais neste mês.

A equipe de psicólogos, voltada para esta temática, lembra que é sempre importante comentar sobre o assunto, alertando de que tirar a vida nunca é a solução de problemas. Eles reiteram a necessidade em ouvir o desabafo de quem está com problemas, pois esta pode ser uma das formas de ajudar quem está sofrendo.

"Falar de suicídio ainda é um grande tabu, mas se a gente não esclarecer, vai ficar ainda mais difícil para as pessoas encararem isso. Não dá pra ser feliz 24 horas por dia. As fases da muda vidam, vem doença, dificuldade, e 2020 está pra mostrar. Então,a gente precisa falar mais de saúde mental, e principalmente do suicídio", destacou a a terapeuta ocupacional Flávia Barbosa de Oliveira em entrevista à emissora nesta segunda-feira.

Além da questão emocional, há fatores genéticos envolvidos no pensamento suicida. "A causa do suicídio é multifatorial. Mas, geneticamente, tem certa vulnerabilidade. Pode, sim, a pessoa ter uma propensão por causa da genética", explica Flávia.

Pessoas com essa tendência podem esconder suas intenções, mas às vezes é possível observar detalhes que revelam seus pensamentos. "A gente tem que observar o comportamento do outro. Em saúde mental, não tem coisa específica, é observar se era uma pessoa super ativa, comunicativa, e ela começa a dar sinais de mudança, ficar mais em casa, dá pra perceber também nas postagens das redes sociais".

Saúde mental na pandemia

Esse quadro de problemas ligados à saúde mental sem acentuou neste ano em função da pandemia do coronavírus. "2020 está sendo o ano da ansiedade. O ser humano tem a ilusão que pode ter tudo ao seu controle. A gente esperava que o ano fosse diferente, tinha planos, sonhos. Aí veio a pandemia, o isolamento, a gente tava acostumado a ir ao banco, academia, ter contatos com as pessoas. E a gente teve que ter mais contato com a família. E veio algumas dificuldades no casamento, com os filhos, netos e avós ficar afastados", destaca ela.

Flávia também lembra que o Centro de Valorização da Vida é uma forma de ajudar pessoas nesta condição, especialmente neste ano em função da pandemia. "O CVV, que é o número nacional 188, esse ano tem feito um trabalho muito bom justamente até por causa da pandemia, que teve a questão do isolamento. Então, o CVV foi um apoio muito grande e sempre faz um trabalho muito bem feito".





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