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​Alerta: Estiagem afeta captação de água em Concórdia e racionamento já é previsto

Medidas de uso consciente de água são importantes para evitar o quadro grave.

Por Luan de Bortoli
21/10/2020 às 06h10 | Atualizada em 23/11/2020 - 08h15


O município de Concórdia vive, mais uma vez, uma fase de intensa estiagem e dois fatores somados podem contribuir para que a cidade viva um racionamento, algo que não ocorria há vários anos: a quantidade insuficiente de chuva e o alto consumo dos concordienses em um período de temperaturas altas. Esta é a segunda estiagem no ano, o que deixa o município em estado de atenção.

Esse alerta é do gerente da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) de Concórdia, Helton Carneiro. Conforme ele, ainda não há problemas no abastecimento de água no município, mas a captação no Rio Suruvi já é afetada, com o desligamento de uma bomba, e o nível do Rio Jacutinga caiu a um dos seus menores níveis dos últimos meses.

“Estou há quase dois anos em Concórdia, e a maior parte desse tempo em estiagem. Nunca passei por uma tão longa. O Rio Suruvi, eu já estou tendo limitação de captação, eu já não consigo trabalhar com as duas bombas constantemente, como eu trabalhava, e no Jacutinga, eu não tive redução de captação, mas eu nunca vi ele tão baixo. Hoje eu não tenho tanto problema de abastecimento, mas isso está próximo”.

Esse quadro de estiagem com falta de chuva e muito calor, que gera aumento de consumo de água, são fatores que preocupam bastante a Casan, porque poderão afetar o abastecimento da população de forma mais grave em pouco tempo. Conforme o gerente da empresa, o racionamento já é uma realidade e pode ocorrer em menos de um mês.

“Eu não tenho experiência de como os mananciais se comportam, mas eu não descartaria, num futuro próximo, implementar rodízio no município. Se o consumo não baixar, e eu tiver que reduzir a captação, a única saída seria essa. Prevejo o rodízio se dentro de um mês a situação não mudar em Concórdia”, alerta o gerente da Casan.

Embora pareçam clichês, algumas medidas adotadas no dia a dia podem ajudar a resolver este problema. Carneiro ressalta a importância de a população se conscientizar em, um momento diferente com pouca chuva e muito calor, usar água de forma correta somente quando necessário.

“O consumo é muito forte e a gente precisaria mudar o perfil de consumo do cidadão, que fosse mais consciente. Não lavar calçada, não regar gramado, não lavar carro, fechar a torneira na hora do banho, não tá tão frio. As pessoas podem ajudar neste aspecto. Em 2009, lá em casa, a única medida que adotamos, na hora de tomarmos banho, a gente fechava a torneira, e conseguimos reduzir o consumo pela metade”.

Carneiro afirma que é possível evitar a adoção de um racionamento em Concórdia, ou que ele não seja tão intenso, caso realmente seja necessário. “Dá tempo. Com essa conscientização, a gente consegue trabalhar com menor volume de produção e eu não preciso escolher quem ai ficar com a água. Se a maior parte da sociedade ajuda, a gente consegue passar. Vejo o brasileiro sendo individualista: ‘eu pago a água, que se exploda o resto’. Temos que ter mais consciência social”.

A primeira estiagem atingiu o município no início do ano, ente janeiro e abril. A partir de maio, com o retorno da chuva à região, a situação começou a normalizar. Mas em setembro, a chuva voltou a ficar escassa, com quantidade bem abaixo do normal para a época. O nível dos rios está baixo. Propriedades do interior do município já necessitam de transportes de carga de água para consumo humano e animal.





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