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Coronavírus

Médica Clarissa Guedes se despede da Ala da Covid do HSF

Ele segue coordenando o setor, mas volta a sua antiga atividade.

Por Luan de Bortoli
02/11/2020 às 13h56 | Atualizada em 02/11/2020 - 14h08

A médica infectologista do Hospital São Francisco, Clarissa Guedes, publicou na manhã desta segunda-feira, dia 02 de novembro, um texto em seu perfil no Facebook, onde se despede da Enfermaria Covid. A médica é a coordenadora do setor desde abril, quando a pandemia chegou a Concórdia.

No texto, ela lembra que foram atendidos cerca de 400 pacientes, entre os recuperados e as vítimas que morreram em decorrência de complicações por conta da doença. No texto, ela fala sobre como foi ver profissionais de saúde sendo infectados e vencendo a doença, como foi o caso do marido dela, o também médico Fernando Guedes.

Ainda na mensagem, a médica relata, de forma emocionada, tudo que vivenciou em cerca de sete meses na função, desde as lutas perdidas, até pessoas que não se sensibilizaram com a dor de tantos pacientes em um dos momentos mais difícil vividos na área de saúde a nível mundial. 

Conforme o que Clarissa disse à reportagem da emissora, ela segue coordenando o setor da covid, mas não ficará mais restrita à ala da doença. Ela retorna ao Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), atividade que desempenhava anteriormente. A equipe médica continuará sob a coordenação, mas atuará de forma mais autônoma em relação à coordenação de Clarissa.

Veja o texto completo:

Foram sete longos meses! Hoje, neste dia que lembramos os nossos mortos, é a minha despedida da Enfermaria Covid. Aproximadamente 400 doentes passaram pela Ala de Isolamento, lutando muito e sendo diariamente cuidados.Durante estes dias sofridos em que estivemos juntos, unidos sempre em equipe, vi muitos colegas adoecerem pela Covid ( enfermeiros, técnicos, médicos, fisioterapeutas ), incluindo meu marido. Vi pessoas renascerem com outros e nobres objetivos, depois de vencerem a doença e a morte. Vi de perto a miséria humana, aqueles que são incapazes de agradecer pelo apoio que recebem mesmo diante da possibilidade do término da vida. Vi acompanhante segurar a mão de doente que “não era seu”, mas sofria igualmente pela solidão do isolamento. Escutei avós felizes ao voltar pra casa para segurar o neto no colo, enquanto alguns não puderam abraçar seus filhos pela última vez, saindo de cena em um caixão fechado. Presenciei enfermeiro que estava internado auxiliando o doente ao lado, em piores condições clínicas que a sua. Enquanto alguns, incapazes de aproveitar o momento de dor para crescimento, reclamavam que não havia café passado, outros diziam que pela primeira vez realmente eram gratos por sentir o gosto da comida na boca. Longos meses de aprendizado, que nenhum de nós deve esquecer. Hoje, Dia de Finados, sejamos capazes de agradecer a vida e a saúde ao retornar para casa, gratidão por mais uma oportunidade de estar ao lado de quem amamos. E, tendo visto a morte tão de perto, cientes de que milhares perderam a vida nesta pandemia, que tenhamos cada vez mais a consciência da nossa própria finitude, para viver todos os dias que nos restam valorizando ao máximo o nosso tempo nesta terra.





01 COMENTÁRIO - Deixe também o seu Comentário



Moacir Luchezi comentou em 03/11/2020 as 10:27:24
Parabéns pela sua dedicação nesse período de incertezas e muito trabalho. Com certeza Deus irá recompensá-la por tudo. Sucesso.




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