OPINIÃO


LUCAS VILLIGER




Se a eleição no Brasil seguisse o modelo dos Estados Unidos, Bolsonaro estaria reeleito


Mesmo com menos votos totais, o modelo americano daria vitória para Jair Bolsonaro.

Adicionado em 03/11/2022 às 09:48:19

Uma interessante curiosidade dessa eleição é que mesmo o candidato Luiz Inácio Lula da Silva ter ganho nos votos totais no segundo turno no último domingo, 30, ele não venceria o pleito se o modelo eleitoral fosse o americano. Neste cenário hipotético quem sairia vencedor seria o candidato Jair Bolsonaro, mesmo perdendo nos votos totais.

Isso acontece devido à autonomia e independência dos estados americanos. Nos Estados Unidos a eleição é feita indiretamente, ou seja, o candidato que ganha em cada estado leva o voto de todos os delegados eleitorais daquele território. Assim, quem tiver mais delegados no total vence. A quantidade de delegados eleitorais de cada estado é definido pelo número de deputados federais mais o número de senadores.

Sendo assim, cada candidato se importa muito em fazer campanha em cada estado americano, pois sabe da importância de vencer em mais territórios. Aqui no Brasil as campanhas são concentradas nos maiores colégios eleitorais, como por exemplo, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Obviamente, nos Estados Unidos, os candidatos também dão uma certa importância para os estados com mais delegados, porém essa intensidade se enfraquece um pouco devido à necessidade de vencer em outras localidades do país.

Neste segundo turno no Brasil, Bolsonaro venceu em 13 estados (contando o Distrito Federal) e Lula venceu em outros 13. De acordo com o número atual de deputados federais e senadores de cada estado, Bolsonaro teria 318 delegados contra 276 de Lula. Sendo assim, Bolsonaro seria reeleito com uma margem de 42 delegados.

Essa legislação eleitoral americana existe devido à importância que eles depositam na independência dos estados, afinal o modelo de governo deles acontece do menor para o maior (dos estados para o país). Isso acontece desde o início, com as Treze Colônias americanas. A justificativa para esse modelo é para evitar uma “ditadura da maioria”, ou seja, uma decisão que não represente a maioria dos estados independentes.

A eleição de 2000 nos Estados Unidos, foi decidida no detalhe, assim como a de 2022 no Brasil. George W. Bush obteve 271 delegados e Al Gore conseguiu 266. Porém, se fosse nos votos totais (como no Brasil), Gore teria vencido por 48,4% contra 47,9% de Bush. Por isso, mesmo perdendo nos votos totais, Bush foi eleito presidente. Em três estados, a diferença entre os dois não chegou a dois mil votos. Uma eleição bem dividida.

Obviamente o que eu estou trazendo aqui é apenas uma curiosidade, não estou fazendo uma sugestão de mudança, tampouco uma contestação do resultado. Ambos os modelos são legítimos e democráticos, tanto é que os Estados Unidos são conhecidos como a maior democracia do mundo. Porém, assim como em 2000 nos Estados Unidos, o Brasil se encontra mais dividido do que nunca em 2022.




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