OPINIÃO


LUCAS VILLIGER




​Nem-nem: uma geração à deriva


35,9% dos jovens brasileiros nem trabalham nem estudam.

Adicionado em 17/11/2022 às 10:11:33

O segundo dia da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está batendo à porta, a segunda parte do Enem acontece neste domingo, dia 20. Essa geralmente é uma etapa crucial na vida de todos os jovens brasileiros. Afinal, muitos deles necessitam desta prova para ingressar em uma universidade e futuramente conseguir uma boa oportunidade de emprego.

Outros, porém, vão entrar no mercado de trabalho logo após o Ensino Médio, inclusive alguns deles já estão inseridos no mercado mesmo cursando o secundário, conciliando desde cedo o estudo e o trabalho. Mas a vida dos jovens nascidos entre 1998 e 2004 está cada vez mais “vazia” no sentido de ocupação educacional e profissional.

No Brasil, os famosos “nem-nem” atingiram um patamar elevado no levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado em 2021. Segundo o relatório da OCDE, 35,9% dos jovens brasileiros, na faixa etária de 18 e 24 anos, não estão matriculados em instituições de ensino e não desempenham nenhuma atividade profissional.

Esse número representa a segunda maior média dos países membros ou parceiros da OCDE, ficando atrás somente da África do Sul, que aparece com uma média de 46,2%. Em terceiro lugar vem a Colômbia, com 31,5%. Em quarto e quinto lugar, Chile (26,1%) e Estados Unidos (17%), respectivamente. A pandemia pode ter contribuído para esse resultado, porém não é de hoje que a porcentagem de “nem-nem” do Brasil é alta.

Obviamente, muitos desses jovens provavelmente estão estudando em casa, se preparando para concursos e até mesmo oportunidades de trabalho. O Brasil, neste ano, está com alta na geração de emprego, com um saldo de 2.147.600 novos postos formais de trabalho. Porém, o alto número de jovens fora do mercado de trabalho e também longe das instituições de ensino preocupa bastante.

Afinal, essa geração que está vindo tem uma crise de identidade que pode refletir em dúvidas quanto a questão da escolha de formação educacional e da área de atuação laboral. Também é inegável reconhecer que dentro dessa porcentagem, há pessoas que não estudam em casa, ficando realmente à deriva.

Enquanto o tempo passa para esse público, o navio da vida entra em alto-mar. A cada ano que deixam para trás, é um tempo que pode estar se perdendo, caso não estejam se preparando para as perigosas marés que se desenham no futuro. Não há nenhum problema em não ocupar um espaço no mercado de trabalho ou pertencer a uma instituição de ensino, porém nesse tempo, se prepare para as oportunidades. Afinal, como disse Louis Pasteur, “a sorte favorece a mente bem preparada”.




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