Em 2008, o iPhone custava US$ 599 nos Estados Unidos. Em 2025, o valor gira em torno de US$ 799. Um aumento real modesto ao longo de quase duas décadas, explicável por avanços tecnológicos, inflação controlada e custos de produção. No Brasil, o mesmo produto saiu da casa de R$ 1.200 para beirar os R$ 8.000. Não é evolução tecnológica: é regressão econômica.

O peso do Estado sobre o bolso
As razões são conhecidas, mensuráveis e fartamente documentadas. A carga tributária brasileira sobre eletrônicos importados é uma das mais altas do mundo. IPI, ICMS, PIS, Cofins, imposto de importação e a cumulatividade tributária formam uma cascata que transforma um bem de consumo global em artigo de luxo. Estimativas do próprio setor indicam que entre 40% e 60% do preço final de um iPhone no Brasil corresponde a impostos.
Some-se a isso a instabilidade cambial crônica. O Real, vítima de desequilíbrios fiscais, déficits recorrentes e desconfiança institucional, perde valor ao longo do tempo. Enquanto o Dólar permanece relativamente estável em termos reais para o consumidor americano, no Brasil ele se torna um multiplicador de ineficiência estatal. Cada desajuste fiscal, cada expansão irresponsável do gasto público, cada sinalização de intervencionismo se converte, quase imediatamente, em preços mais altos na prateleira.
O erro recorrente
Ludwig von Mises alertou, ainda no século XX, que não existe intervenção estatal pontual sem efeitos colaterais profundos. Para o economista, controles, impostos excessivos e manipulação monetária distorcem o sistema de preços que é, em essência, um mecanismo de informação. Quando o Estado interfere, o preço deixa de refletir escassez, produtividade e preferência do consumidor, passando a refletir burocracia, arrecadação e poder político.
O iPhone no Brasil não custa R$ 8.000 porque ele vale isso. Ele custa R$ 8.000 porque o sistema econômico brasileiro está organizado para extrair, e não para servir. O consumidor deixa de ser soberano e passa a ser financiador involuntário de um Estado inchado, ineficiente e voraz.
Nos Estados Unidos, o princípio oposto prevalece: impostos menores sobre consumo, ambiente de negócios previsível, respeito à propriedade privada e uma política monetária que, apesar de imperfeita, ainda preserva poder de compra no longo prazo. O resultado é simples e mensurável: tecnologia acessível, concorrência real e inovação constante.
Renda, poder de compra e desigualdade
O contraste se torna ainda mais gritante quando se observa a renda. O salário médio anual nos Estados Unidos ultrapassa os US$ 60 mil. Um iPhone representa pouco mais de uma semana de trabalho para muitos americanos. No Brasil, com salário médio mensal em torno de R$ 3.000, o mesmo aparelho pode representar dois a três meses de renda integral. Não é apenas caro: é desproporcional, excludente e socialmente perverso.
Curiosamente, o discurso oficial costuma culpar o mercado, as empresas ou o capitalismo. Mises já desmontava esse argumento há décadas: não é o mercado que encarece a vida, é o abandono do mercado. Onde há livre concorrência, preços caem. Onde há impostos excessivos e instabilidade institucional, preços explodem.
Um convite à reflexão
O gráfico do iPhone não fala apenas sobre Apple. Ele fala sobre o Brasil. Sobre escolhas políticas. Sobre um modelo que prefere tributar consumo a cortar privilégios, que desconfia da liberdade econômica e idolatra o controle estatal. Enquanto insistirmos nesse caminho, tecnologia, inovação e progresso continuarão sendo tratados como luxo e não como ferramentas de desenvolvimento.
Defender o livre mercado não é defender empresas. É defender o cidadão. É defender o direito de escolher, de consumir, de prosperar. É reconhecer, como ensinava Mises, que a liberdade econômica é condição necessária para qualquer liberdade duradoura.
O gráfico está aí. Os números são claros. Resta saber se teremos coragem de mudar o rumo ou se continuaremos aceitando que o futuro chegue ao Brasil sempre mais caro, mais tarde e para poucos.













