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Especial

Cinco gerações de mulheres


Família Trindade do bairro das Nações conseguiu essa dádiva

Por Simone Vieira
29/08/2020 às 11h44
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A opção pela gravidez cada vez mais tarde em detrimento da carreira, estabilidade econômica ou o relacionamento certo faz com que muitas gerações que estão nascendo recentemente não consigam conviver com avós, bisavós e quem dirá tataravós. 

Não foi o que aconteceu com a Família  Trindade do bairro das Nações em Concórdia. A família teve a dádiva de convívio de cinco gerações de mulheres. Dona Olimpia Simon Tavares (81) conta orgulhosa, cheia de bom humor, que possui 22 netos, 14 bisnetos e uma tataraneta, a Lara de apenas 1 mês. 

A matriarca conta que é mãe de Marleide Trindade (54), que é mãe de Janderleia Trindade (36) que é mãe de Amanda Trindade (21 anos) que é mãe da Lara Trindade Bender de menos de 1 mês, assim se completa cinco gerações. 


Dona Olimpia, ou a “nona Olímpia” como a família à chama conta como é conviver com suas meninas. “Ah é a maior satisfação, a maior alegria, nesse ponto, nessa idade tomara que venham outros para poder conviver. Tive vários problemas de saúde, com 18 anos tive Febre de Tifo, perdi muito cabelo, fiquei 40 dias no hospital em Alto Bela Vista. Achei que não ia viver a ponto de conhecer uma tataraneta”.



A gaúcha de Serra Alegre explica que aos 4 anos a família veio para Santa Catarina. “Moramos em Videira, depois outras cidades e quando era mais nova, fui pra São Paulo trabalhar, conheci um paraibano e viemos pra Concórdia. Tivemos 10 filhos, são 7 vivos ainda. Agora sou desquitada”. 

Marleide Trindade (54) conta que amor de vovó só multiplica. “Tenho 3 filhos, Jandir, Janderleia (a Janda) e o Janderson. Tive meu primeiro filho aos 16 anos, com 17 anos minha segunda filha. Nós tivemos filho cedo. Formar família era algo sagrado”.  

Janda conta que teve a filha Amanda com 14 anos. “Engravidei no meu primeiro namorado, escondi a gravidez até o oitavo mês, quando ela nasceu prematura.  Dentro de casa era bem restrito, não se falava sobre como se prevenir,  na escola se falava, mas não era como é hoje. O pai teve uma reação bem forte, mas só foi naquele dia, depois que nasceu, eles me ajudaram muito”. 

Mãe na adolescência Janda explica que as coisas não foram fáceis e não queria o mesmo destino para a filha. “Minha filha não teve convívio com o pai dela, a minha mãe e o meu pai criaram a Amanda. Quando ela tinha 4 meses, engravidei do segundo filho. Agora no segundo relacionamento tenho mais um filho de 10 anos”.

Conforme o psicoterapeuta alemão, criador da Constelação Familiar, Bert Hellinger, por lealdade colocamos em contato, em nosso coração e em nosso inconsciente, com o movimento de repetir o que foi difícil na história de vida de outros membros da nossa rede familiar. A lealdade invisível atua em todos, mesmo que no racional nos colocamos “fora” do nosso sistema familiar. Somos leais, em nossa inconsciência, pelo simples fato de estarmos ligados pelo fio da vida a muitas outras pessoas que vieram antes.

Dessa forma, Amanda explica que até o quinto mês de gravidez também não contou sobre seu estado gestacional. Ela se diverte ao dizer que a mãe não queria ser avó. “Ela é nova pra ser vovó, mas aí tive Trombofilia, fiquei 2 meses internada, tive que contar. Agora ela é uma avó super babona, já deu o nome pra minha filha, já aceitou de boa. Mas eu sempre pensei, quero que meus filhos conheçam a nona”. 

Janda reflete que queria um futuro diferente pra filha. “Para a carreira é um obstáculo. Mas nossa família é muito unida”.  
E essa união é algo bem nítido durante o tempo que passamos realizando essa matéria especial. São quatro famílias que moram bem próximas, os primos convivem, brincam juntos. As cunhadas trocam experiências. E como a “nona Olimpia” mesmo fala, é bom demais ver a casa cheia todo final de semana, tem muitos idosos que no final da vida não tem muitos vínculos. 






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