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Tentativa de feminicídio, que motivou associação de apoio a vítimas, será nesta 3ª em Concórdia

Comunicação do Tribunal de Justiça de SC destaca caso da mulher que recebeu mais de 20 facadas.

Por Marcos Feijó
26/07/2021 às 08h20 | Atualizada em 27/07/2021 - 09h02


Era mais uma noite agradável de verão. Mãe e filha saíram para jantar na quarta-feira, dia 4 de fevereiro de 2020, em um restaurante no Centro de Concórdia, no Oeste. Passava das 22 horas quando resolveram ir para casa, mas a volta para o lar foi interrompida tragicamente. Separada há exato um ano, a mulher foi golpeada por uma faca de churrasco, ali mesmo na calçada. Foram 23 ferimentos na cabeça, costas, seios, abdômen e braços. O agressor era o ex-marido, ainda inconformado com a separação.

A contadora, de 29 anos de idade, ficou 18 dias internada no hospital, dos quais sete esteve em coma. Passou por três grandes cirurgias, a primeira durou mais de 10 horas. O homem que conviveu com ela por 10 anos com o propósito de amar e formar uma família, a deixou com debilidade permanente na mão direita e um grande trauma na filha do casal, com seis anos de idade na época, que presenciou o ataque. Ele está preso desde então e o julgamento do crime acontecerá no próximo dia 27, com início previsto para 9 horas.

Infelizmente, a história dessa concordiense não é fato raro. Um estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que uma em cada quatro mulheres sofreu algum tipo de violência no último ano. Essa triste realidade motivou a vítima do Oeste catarinense a fundar uma associação para ajudar outras mulheres a enfrentar e se livrar da situação.

“A ideia é fazer eventos e palestras motivacionais, apoio entre mulheres, ajudar, entender, ouvi-las, encorajá-las, aplicar capacitação, treinamentos voltados à parte financeira. Possuímos advogada para orientações, palestras em escolas”, conta. Em função da pandemia de Covid-19, os atendimentos têm acontecido virtualmente pelo WhatsApp (49) 9 9999 1349. A vítima lembra que o apoio de terceiros poderia ter dado outro rumo à história dela.

“Quando decidi, pedi a separação numa conversa sozinha com ele. Foi então que ocorreu a primeira tentativa de homicídio contra mim, por asfixia e socos na cabeça. Hoje vejo que foram vários sinais: ciúmes excessivos com violência patrimonial, ameaças, perseguições, ligações por vídeo. O basta foi a violência sexual. Aguentei por quase um ano, contra a minha vontade. E, então, houve o despertar. Mas eu deveria ter agido desde o primeiro sinal de violência, mesmo sem ter sido o alvo da violência naquele momento”, lamenta a contadora que se mudou para São José com os dois filhos.

Sinal vermelho
A partir de experiências na França, na Espanha e na Índia, um grupo de trabalho criado pelo Conselho Nacional de Justiça idealizou uma campanha que tem por objetivo oferecer um canal silencioso de denúncia à vítima que, de seu domicílio, não consegue informar as autoridades sobre a violência sofrida.

Em uma farmácia ou drogaria previamente cadastrada na campanha, basta mostrar a palma da mão ou um pedaço de papel, se for mais fácil, com um “X” vermelho que pode ser feito com batom ou qualquer outro tipo de material. O farmacêutico ou atendente treinado aciona a polícia. A escolha desse tipo de estabelecimento se deu porque permanecerá aberto mesmo em eventual caso rigoroso de confinamento (lockdown) e fechamento do comércio, por conta da pandemia.

Fonte: MATÈRIA TJ SC





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