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Justiça

Dia de julgamento do homem que desferiu mais de 20 facadas na ex-esposa

Crime em Concórdia em fevereiro do ano passado.

Por Marcos Feijó
27/07/2021 às 08h48 | Atualizada em 27/07/2021 - 17h56


Nesta terça(27) julgamento em Concórdia do homem que esfaqueou a ex-companheira na rua do Comércio, em Concórdia,  em 4 de fevereiro de 2020. O crime foi praticado com mais de 20 golpes de faca.  Ele que se apresentou dois dias depois, mas acabou liberado. Porém em 7 de fevereiro foi detido através de um mandado e aguarda preso o julgamento. Já a mulher deixou o hospital após 18 dias de internação. Trata-se de feminicídio na forma tentada, crime contra a vida, e por isso o julgamento popular.

O Ministério Público cita que às 22h30 de 4 de fevereiro de 2020, na frente de um restaurante na Rua do Comércio, o homem de iniciais M.C tentou matar a mulher de iniciais I.O de V, ex-esposa, com diversos golpes de faca, atingindo principalmente regiões torácica e clavicular esquerdas e nos membros superiores. Um popular chegou a atirar uma mesinha em M.C para impedir algo pior. O rápido transporte para o hospital também ajudou para evitar a morte.

O Ministério Público fez denúncias com qualificadores torpe(por M.C não se conformar com o término do relacionamento), meio cruel e que dificultou a defesa da vítima, crime contra a mulher e no contexto da violência doméstica e familiar tendo a presença da filha do ex-casal.

M.C foi preso em virtude de decisão que decretou preventiva. A denúncia do MP foi protocolada em 12 de fevereiro de 2020, e aceita pela Justiça.

O defensor constituído por M.C, advogado Márcio Dal Piva, refutou acusações e requereu afastamento das qualificadoras. Do motivo torpe alegando desentendimento em relação à divisão de bens e não o inconformismo com o término da relação. Do motivo surpresa em virtude que ocorreram desavenças anteriores. Do meio cruel sob argumento que o número de facadas por si só não seria capaz de caracterizar a qualificadora. E também pediu o afastamento do feminicídio com o argumento de não haver contexto doméstico, pois estariam separados há quase um ano e a discordância era pela partilha de bens. Porém todas as qualificadoras foram aceitas pela Justiça. O advogado Márcio Dal Piva apresentou recurso, que está em segredo de Justiça.

Na fase policial M.C optou por permanecer em silêncio. No interrogatório judicial ele confirmou ser o autor, e falou que se sentiu um tanto enganado na separação, também quanto a relação empresarial, mas citou ciúmes. No dia do crime consumiu bebida alcoólica. Quando encontrou I.O de V, somente queria conversar, mas já não “estava mais em sí” e deu as facadas.

Já I.O de V, que é defendida por Juliano Ferraz, prestou depoimento somente na fase judicial. Em algumas apurações, a reportagem da Rural teve a informação que ela, ao sair do restaurante, atravessou a rua para ir até seu carro e M.C apareceu com passos rápidos. Uma amiga então disse para ela correr o que fez em direção ao restaurante já recebendo as facadas e teve perfuração de rim, fígado, diafragma, estômago, pulmão e seio. A película do coração foi atingida.

Eles foram casados por quase 10 anos. Relação que terminou em fevereiro de 2019.

"Foram 23 facadas em uma via publica, na frente  de um estabelecimento cheio de pessoas de opinião na cidade. O fato de ser em frente a filha dele, também. E nada segurou a fúria do agressor. Qual era a obstinação dele em concretizar seu plano?", disse o pai da vítima à reportagem da Rural. 

 





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