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Saúde

​SAÚDE PÚBLICA NA UTI



Por Lucas Villiger
09/07/2022 às 08h56
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A expectativa de vida do brasileiro aumentou nos últimos anos, com isso doenças crônicas, principalmente as cardiovasculares e câncer, com maior custo, passaram a estar no topo das necessidades de tratamento e considerando que segundo estimativas, 80% da população, mais de 160 milhões de brasileiros dependem dos serviços públicos para cuidar da saúde, o amigo leitor pode fazer uma  idéia do tamanho desse desafio.

Distribuído pelo país existe  uma rede de atendimento chamada SUS, que durante o período mais grave da pandemia da  Covid superou-se e fez um atendimento acima da média real se comparado com aquilo que representam os mesmos atendimentos em tempos normais. Ou seja, quando foi preciso e alavancado pelas ações emergênciais do momento o Sistema Público de Saúde deu uma resposta positiva. Além disso o Brasil é um dos países onde os serviços são gratuitos o que o torna uma referência. 

Porém como eu dizia, em tempos de rotina normal o SUS tem problemas que comprometem muito a qualidade no atendimento, os problemas são tantos que impactam desde as demandas mais simples até as mais complexas. A falta de verbas expõe estes problemas ainda mais e agrava uma questão antiga, o subfinanciamento do Sistema. 

O gasto total com saúde no Brasil  aumentou nestes últimos anos, chegando aos 9,51% do PIB, entretanto, somente 3,96% deste total foram gastos dos cofres do governo e esse patamar vem se mantendo estável ao longo dos anos. A diferença restante de 5,55% equivale aos gastos privados financiados pelas próprias famílias brasileiras. Significa dizer, segundo a análise do IEPS, que o SUS literalmente ficará subfinanciado se os investimentos públicos em saúde não aumentarem expressivamente nos próximos anos.

Os principais reflexos serão a deteriorização do sistema público de saúde e o aumento das desigualdades no País”.  Atualmente, o percentual de gastos do governo brasileiro com a saúde da população é um dos mais baixos do mundo, segundo os analistas. De acordo com os números da última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada em abril deste ano, esse percentual só é maior que o do México, cuja administração investe apenas 2,7% de seu PIB em saúde. Isso já é um sistema de saúde “cronicamente subfinanciado”. 

A emergência agora é o governo gastar mais e melhor em saúde pública e proporcionar á população o necessário retorno social que decorre de políticas estratégicas como a saúde da família brasileira. O crescimento de demandas associadas ao aumento da longevidade da população, o custo dessas demandas e a falta de uma política mais efetiva de investimentos,  serão travas para a recuperação do desenvolvimento no país. 

Se por um lado o Brasil pactuado com a Organização Panamericana de Saúde juntamente com os países latinos deverão alcançar um investimento público em saúde equivalente a 6% do PIB até 2027, por outro lado, para cobrir as necessidades totais de financiamento do Sistema Único de Saúde, o gasto público em saúde deve alcançar valores equivalentes a pelo menos 4,7% do Produto Interno Bruto até 2030.

Para alcançar esse percentual, segundo a Agenda Mais SUS, teriam quatro estratégias: A eliminação ou redução da renúncia fiscal em saúde, a realocação de recursos que estão em outras áreas, o fomento ao aumento de gastos em saúde por outras entidades do pacto federativo ou ampliar a tributação de setores que cominem com aumento de custos sobre a saúde da população como na produção de bebidas açucaradas, alimentos ultraprocessados, tabacos e álcool....

O fato é que o brasileiro passou a viver mais e o Sistema de saúde não acompanhou esse fenômeno. Então caro leitor, é hora do governo brasileiro cumprir seu papel de fomentador e tirar o SUS da UTI, ele é muito significativo para a população assistida. 

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Fonte: LAERCIO GRIGOLLO




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