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​A PÁTRIA EM CHUTEIRAS !!!!!


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Por Lucas Villiger
26/11/2022 às 06h03 | Atualizada em 26/11/2022 - 06h05
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Pela segunda Copa do mundo de futebol consecutiva, o desinteresse do torcedor brasileiro pelo evento passou de 50%. Três meses antes do mundial do Qatar, chegava próximo aos 53% o numero de torcedores  que afirmavam não ter interesse no evento. Na Copa do Mundo da Rússia em 2018 o percentual de desinteressados foi de 53%. A queda do encanto da população brasileira pela sua seleção e pela Copa do Mundo tem uma série de explicações esportivas e políticas.

Nestes últimos anos a seleção nacional ficou praticamente afastada da torcida fazendo seus amistosos e preparações fora do país, com a grande maioria dos jogadores convocados atuando em clubes estrangeiros perdeu-se aquela  tradicional, costumeira e eu diria cultural torcida e expectativa  pela convocação dos ídolos dos clubes brasileiros, da rotina de preparação da seleção e da participação no evento propriamente dito. 

Outros fatores internos ao futebol também pesam na perda de identidade entre os torcedores e a seleção brasileira. A essência e o prazer do ato de torcer por algum clube, que começa já na infância dos brasileiros, herança dos pais e avós, tem se perdido quando se trata da seleção nacional e faz um bom tempo que a pátria de chuteiras tem cada vez menos chuteiras.

A identidade com o futebol vai se desgastando principalmente entre as gerações mais recentes, a má gestão na entidade que dirige o futebol no Brasil, o envolvimento em escândalos internacionais, corrupção, interferências políticas e econômicas na convocação da seleção acabaram deteriorando a imagem da camisa da nossa seleção que é amarela desde sempre e que também ficou ofuscada ora pelo seu uso indevido, ora por interpretações equivocadas no cenário político nacional.

O fato é que aquele clima da torcida brasileira que antecedia os jogos na Copa, como picar papéis para a hora dos gols, enfeitar as ruas, as sacadas e janelas, os acordos no trabalho para que todos pudessem ver os jogos tem sido cada vez menos frequente, os jogos que foram um dia motivo de orgulho já não emocionam mais. Ornamentar a casa, as crianças empolgadas, os adultos ansiosos, pipoca, chimarrão, família reunida na frente da televisão tem se tornado mais raro.

Nesse ano o movimento maior do torcedor brasileiro foi completar o álbum de figurinhas das seleções da Copa do Catar. Acompanhados e estimulados pelos filhos, vi pais, mães, tios e padrinhos empolgados nas praças de todo o pais trocando e negociando figurinhas. 

No campo de jogo, em que pese a vitória do Brasil no primeiro jogo, arrisco a dizer que a empolgação um pouco maior da torcida brasileira, até agora, foi ver a seleção da Argentina  perder seu jogo de estreia. Mas caro leitor, não é o Brasil conhecido como o país do futebol?  Bom, hoje, na verdade isso não é mais uma realidade nacional, o Brasil é apenas o 13º país mais apaixonado pelo futebol e você sabe quem assumiu essa posição de país do futebol? 

Os Emirados Árabes Unidos lideram o ranking, com destaques também para China, Índia, Japão e Estados Unidos, países hoje na frente do Brasil que tradicionalmente liderou esse ranking por muitos anos. O fato é que um dos principais símbolos da cultura brasileira, o futebol, que inspirou genialidades também fora de campo, como Nelson Rodrigues que escreveu , A Pátria em chuteiras, nos mostra que apesar do torcedor ainda gostar muito desse símbolo,  o tempo passa, a bola rola  mas o encanto não é mais o mesmo.
 


Fonte: CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING




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